Este projeto é duas coisas coladas: um arquivo público — páginas HTML independentes, publicadas de graça no GitHub Pages — e um painel privado, o LifeOS, onde a vida que alimenta esse arquivo é gerida.
A separação importa. O arquivo é o que você mostra: ensaios, mapas, diagramas, o que quer que sobreviva. O LifeOS é o que sustenta: as tarefas, as notas, o dinheiro, o calendário, os objetivos de longo prazo. Um alimenta o outro, mas só um é público.
O custo de manter isso no ar é zero na prática: GitHub Pages é
gratuito para repositórios públicos, e o plano free do Supabase cobre folgadamente
o uso de uma pessoa. Não há build, não há framework, não há pipeline. Um
git push publica.
A ideia por trás do LifeOS é velha e simples: a cabeça é boa para pensar e ruim para guardar. Lembrar de pagar uma conta, de qual era mesmo aquele livro, de quanto se gastou no mês — nada disso exige inteligência, só exige retenção. E retenção ocupa espaço que fazia falta em outro lugar.
Enquanto uma tarefa vive só na memória, ela cobra atenção em intervalos aleatórios: na fila do mercado, no meio de uma conversa, às três da manhã. Ela volta porque a cabeça não tem como saber que já foi resolvida. Escrever em um lugar confiável desliga esse alarme.
Por isso o sistema cobre domínios que normalmente ficam em cinco aplicativos diferentes. Não é ambição de fazer tudo — é que memória fragmentada em cinco lugares continua sendo memória que você carrega, porque você ainda precisa lembrar em qual dos cinco aquilo estava.
E o segundo ganho aparece depois: material acumulado num lugar só vira algo que dá para consultar e cruzar. Seis meses de notas viram um corpo de texto onde se procura um padrão. Um ano de movimentações vira uma resposta sobre para onde o dinheiro realmente vai.
Sete áreas. O hub mostra o resumo de todas; cada uma tem a sua tela própria quando precisa de trabalho de verdade.
O arquivo público não usa framework, gerador de site estático ou tema. Cada entrada é um arquivo HTML com o seu próprio CSS dentro. Isso parece um passo atrás e é justamente o contrário.
Num gerador de site, toda página é obrigada a caber no molde do tema. Você escreve markdown e recebe de volta o mesmo layout de sempre. Serve para um blog; é uma camisa de força quando a página é o argumento.
- Um diagrama que precisa de cores próprias — a página inteira se reorganiza em volta dele.
- Uma linha do tempo que só funciona na horizontal, com escala não-linear.
- Uma entrada que pede fundo claro quando todo o resto do arquivo é escuro.
- Uma tabela interativa, um mapa, um pequeno jogo que explica um conceito.
Nada disso precisa de permissão. Você abre o arquivo e escreve. E porque cada página é autossuficiente, nenhuma pode quebrar outra — não existe CSS global a ser alterado por engano, nem dependência a atualizar. Uma página escrita hoje abre igual daqui a dez anos.
O manifest.json é o que costura tudo: a capa lê esse arquivo e monta a
listagem sozinha. Você nunca edita a capa à mão — publica a página, a entrada entra
no manifest, o índice se atualiza.
É aqui que as duas metades se encontram, e é a parte mais fácil de subestimar.
A IA lê o seu sistema. O LifeOS expõe um servidor MCP — cole uma URL no seu cliente e a IA passa a consultar suas notas, tarefas, projetos, eventos e finanças por conta própria. Você para de copiar e colar contexto. Pergunta “o que eu já escrevi sobre isso?” e recebe uma resposta baseada no que você de fato escreveu, não no que o modelo imagina.
A IA escreve as páginas. Porque uma entrada é só HTML, uma IA consegue produzir uma inteira — diagrama, layout, estilo — a partir de um texto seu. Não há API a aprender, nem convenção de tema a respeitar: é HTML. A tela Publicar recebe o arquivo pronto e faz o commit.
A IA melhora o próprio sistema. O código é HTML, CSS e JavaScript sem
build — o que significa que pedir “adiciona um gráfico de gastos por categoria” é um
pedido que uma IA consegue atender de ponta a ponta, sem ambiente para montar antes.
Os arquivos em docs/ existem para isso: são o contexto que faz uma IA
entender o projeto antes de mexer nele.
Tudo abaixo fica no menu do hub — o botão no canto superior direito.
A ordem abaixo evita o erro mais comum, que é tentar preencher o sistema inteiro num fim de semana e abandoná-lo na terça.
- Troque a senha mestre. Em Senhas. É a única coisa realmente urgente.
- Crie dois ou três projetos. Só os que você já tem de verdade — projeto é o eixo de todo o resto, e inventar projeto vazio só gera lista morta.
- Use as tarefas por uma semana antes de mexer em mais nada. Se o hábito não pegar aqui, não pega no resto.
- Depois, as notas. É o módulo que rende com o tempo: só faz sentido quando há material acumulado.
- Conecte o MCP quando já houver algo para a IA encontrar. Conectar num sistema vazio não mostra nada.
- Finanças por último. Exige constância diária e é o mais fácil de abandonar — deixe para quando o resto já for rotina.